O que têm em comum a penicilina, a teoria da relatividade e a Internet? Todos foram resultado de investigação científica, um conjunto de passos sistemáticos que visa adquirir novos conhecimentos dentro do método científico.
Se te foi atribuído um projeto de investigação, um TFG (Trabalho Final de Graduação) ou se simplesmente tens curiosidade sobre como funciona a ciência, nesta guia explicamos como fazer uma investigação científica passo a passo.
O que é investigação científica?
A investigação científica é um conjunto de passos sistemáticos e objetivos, usados para gerar, ampliar ou verificar conhecimentos sobre a realidade, aplicando o método científico.
Em termos simples: é a forma mais rigorosa de descobrir como as coisas funcionam, responder perguntas ou resolver problemas com base em evidências verificáveis, e não em opiniões ou intuições.
O processo começa com a formulação de uma hipótese, que será testada ou refutada através de métodos específicos. Cada investigação assenta em três pilares: objeto de estudo definido, métodos controlados e finalidade significativa. Ignorar algum deles enfraquece a qualidade e o valor do conhecimento produzido.

9 características da investigação científica
A investigação científica distingue-se de outros tipos por garantir rigor, confiabilidade e relevância, com características como:
- Sistemática: segue um plano estruturado, do problema à conclusão e recomendações.
- Objetiva: baseia-se em dados verificáveis, não em opiniões pessoais.
- Empírica: parte da observação e experimentação da realidade.
- Crítica: questiona métodos, resultados e suposições constantemente.
- Verificável e replicável: outros investigadores devem conseguir reproduzir o estudo com resultados semelhantes.
- Conhecimento provisório: sujeito a revisão e atualização conforme novas evidências.
- Ética: respeita normas de integridade académica, direitos dos participantes e meio ambiente.
- Precisão linguística: termos claros e definidos, evitando ambiguidades.
- Original e controlada: visa gerar novo conhecimento ou resolver problemas ainda não estudados.
Principais tipos de investigação científica
- Investigação básica ou pura: feita por curiosidade, para compreender fenómenos, sem aplicação imediata (ex.: estudo das ondas gravitacionais).
- Investigação aplicada: visa resolver problemas concretos na sociedade, como desenvolver uma app para detecção precoce de câncer de pele.
- Investigação experimental: manipula variáveis num laboratório ou ambiente controlado (ex.: testar um novo medicamento para pressão arterial).
- Investigação observacional: regista fenómenos sem intervir, como observar o comportamento das crianças num parque.
- Investigação descritiva: descreve os fenómenos tal como são (ex.: censar carros elétricos em Lisboa).
- Investigação correlacional: analisa relações entre duas variáveis sem afirmar causalidade (ex.: pessoas que dormem pouco tendem a consumir mais açúcar).
- Investigação quantitativa: baseia-se em números e estatísticas para medir, comparar ou estabelecer relações.
- Investigação qualitativa: foca em opiniões, experiências e emoções, usando entrevistas, observações e análise de conteúdos.
- Investigação mista: combina métodos quantitativos e qualitativos, muito usada em TFG e TFM portugueses.
Fases da investigação científica
- Seleção do tema: escolher um tópico relevante e motivador.
- Definição do problema: descrever a situação, justificar o estudo e identificar lacunas no conhecimento.
- Objetivos, questões de investigação e hipóteses: definir objetivos gerais e específicos, perguntas de investigação e hipóteses a testar.
- Escolha do referencial teórico: analisar teorias, modelos e estudos anteriores para sustentar o estudo.
- Metodologia: detalhar tipo de investigação, desenho, população, amostra, instrumentos de recolha de dados e procedimentos de análise. Deve ser replicável.
- Execução do plano: recolher dados, registar informação sistematicamente e garantir ética (consentimento informado, confidencialidade).
- Análise dos resultados: processar dados, comparar com objetivos e hipóteses, interpretar e discutir criticamente.
- Redação do relatório e publicação: comunicar resultados de forma clara e profissional (TFG, Tese, artigo), seguindo normas como APA, ISO ou Vancouver. Publicar para contribuir com a comunidade científica.
Exemplos práticos
| Fase | Exemplo 1: Redes sociais e ansiedade em adolescentes | Exemplo 2: Fertilizante biológico e produtividade do milho |
|---|---|---|
| Tema | Ansiedade entre 13-17 anos e uso do Instagram/TikTok | Reduzir custos e melhorar sustentabilidade agrícola |
| Problema | O uso prolongado das redes sociais aumenta ansiedade? | Pouca evidência sobre fertilizantes biológicos em Portugal |
| Objetivo e hipótese | Determinar relação horas redes sociais → ansiedade. Hipótese: mais horas → maior ansiedade | Avaliar efeito do fertilizante biológico vs químico. Hipótese: produtividade igual ou maior |
| Referencial teórico | Teoria do uso e gratificação, modelos de comparação social | Teoria de nutrição vegetal, estudos FAO sobre biofertilizantes |
| Metodologia | Correlacional transversal, 400 estudantes, questionário + Escala de Ansiedade | Experimental em blocos, 3 tratamentos, <10 parcelas |
| Execução | Aplicação de questionários online durante 3 semanas | Aplicação de tratamentos, medições semanais de altura e peso das plantas |
| Análise | Correlação Pearson r=0,68 (p<0,01), regressão linear | ANOVA: diferenças não significativas, fertilizante biológico reduz custos 40% |
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Perguntas Frequentes
Qual é a melhor abordagem: qualitativa, quantitativa ou mista?
Depende da questão de investigação. Quantitativa: medir, comparar, prever. Qualitativa: interpretar fenómenos complexos. Mista: combina vantagens de ambos.
Como saber se o tema é válido?
Se for exequível, relevante, ético e inovador, podes avançar.
Erros comuns a evitar
Temas muito amplos, poucas fontes, objetivos irrealistas, amostras pequenas, desligação entre teoria e prática, manipulação de dados, deixar redação para o fim.


